Aventura no Marrocos sem a bike!

posted in: cicloturismo pela europa 2006 | 0
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Meu plano era pegar o primeiro Ferry Boat em Algeciras para Tanger e viver uma grande aventura no Marrocos sem a bike!
Os últimos dois meses passei pedalando praticamente todos os dias a Pérola Negra!
A cama do hotel estava muito boa e os planos foram por água abaixo mas antes do meio dia já estava a caminho…

A travessia do Estreito de Gibraltar foi simplesmente alucinante!

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e a chegada em Tanger no Marrocos muito esperada.

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Em Tanger muito assédio na rua por parte dos lojistas querendo vender, os guias querendo mostrar a cidade, pedintes, um clima muito tenso.
Começo da noite peguei um ônibus para Rabat, capital do Marrocos, minha esperança era chegar de madrugada na rodoviária e descansar um pouco. Acordei assustado no ônibus com o grito do cobrador dizendo algo que deduzi ser Rabat. Meio sonolento confirmei se era mesmo: um sacrifício para meu cérebro articular algumas sentenças em francês naquela hora da manhã.

Fui deixado literalmente na beira da estrada pois a rodoviária estava fechada. Tive sorte que perto dali tinham alguns cafés e restaurantes, onde pude provar a verdadeira comida marroquina, com todos seus temperos variados e picantes. Foi um quarto de frango assado com arroz temperado com curry, açafrão e outras ervas, moela e fígado com outros temperos, um molho separado com páprica doce e mais um monte de coisa, mais tres molhos diferentes. Tudo isto por 20 Dehams, que são 2 euros!

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Amanheceu e fui visitar Rabat. A Torre Hassan II tem 44m dos 86m inicialmente planejados, porém, nunca foi acabada. Ambição do sultão Yacoub el Mansour, que queria construir a maior mesquita do mundo muçulmano. Templos um maior que o outro, esta mesma estória já tinha visto em outro lugar bem longe dali, nas suntuosidades das igrejas católicas do Caminho de San Tiago de Compostela.

Nas entradas de Rabat tem 5 grandes arcos que se estendem por uma grande muralha.
Visitei o parlamento e as edificações oficiais. Tudo isto sem o mapa turístico.

marrocos rabat

Parti para Casablanca. Cidade grande, todo aquele assédio de novo.
No geral a passagem pelo Marrocos foi tensa e nervosa, sempre com a impressão que iria ser assaltado ou algo do tipo.

marrocos casablanca

marrocos casa blanca

Continuei minha peregrinação e peguei o trem para Marrakesh. Da estação segui a pé para a praça Jemma El Fna, lugar incrível onde se aglomeram muitos turistas no meio daquela multidão de marroquinos.

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A praça Jemma El Fna parece um cenário de filmes, vários artistas, malabares, grupos de músicos com diferentes instrumentos, cercados por gente de todos os cantos do mundo, eram semblantes assustados e curiosos com todas aquelas coisas, diferentes culturas, cheiros e sabores. Tinham macacos adestrados, encantador de serpentes, cobras naja cuspideiras, comércio de artesato, jóias, cuspidores de fogo, uma visão encantadora de um mundo só visto pela TV. No meio de toda esta confusão tinham as bancas de comida, fileiras enormes de bancas de todos os tipos de comida, o cheiro era maravilhoso, temperos que nunca tinha sentido, comidas que nem sabia o que eram.

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Não queria um hotel na praça porque achei que fosse ser mais caro, então me indicaram uma entradinha onde teriam mais hotéis. Chegando nesta entradinha eu não acreditei, aparentemente a entrada de um comércio pequeno, uma porta modesta, dava acesso a mais uma praça inteira. Já era noite adentro, estava cansado, achei o clima um pouco perigoso e resolvi achar um hotel na praça mesmo.

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Tive muita sorte, o hotel era simples, banheiro compartido, barato e o melhor, um restaurante de sacada com uma visão privilegiada da praça. Deixei minhas coisas no quarto e fui jantar numa das muitas barraquinhas de comida à céu aberto. Foi um deleite, vários pratos com temperos diferentes, um rodízio de cheiros e sabores do Marrocos e sua culinária mágica.

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As ruas são estreitíssimas e portas que dão para praças inteiras, este é o aspecto das medinas, cidades fortalezas da antiguidade.

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Tudo em Marrahesh tem um tempero especial, é delicioso. Almocei o Tagil, batatas cozidas com frango numa cumbuca de barro em forma de chapéu.

Na área externa da medina, no alto do muro encontrei mais um ninho enorme de cegonha.

Marrocos Marrakech cegna
Rodei mais um pouco pela medina no fim da tarde, tudo muito lindo e diferente. Passei numa casa de especiarias e saí de lá achando que era o cozinheiro mais feliz do mundo.
Estou com um verdadeiro arsenal de temperos marroquinos, páprica doce e picante, açafrão, canela, poivre, cominho…

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Peguei o ônibus para Fes 21h, primeira classe…Mais uma roubada. Comprei uma passagem que me disseram ser de primeira classe, vendida pelo próprio caixa da rodoviária, num árabe que não conseguia decifrar nada. No fim o ônibus tinha lugares idênticos e no meu caso era um pouco pior, fiquei na penúltima poltrona e não consegui reclinar meu assento senão eu praticamente deitava em cima do outro cidadão atrás. Foi uma noite tumultuada e desconfortável.

Segui para Ceuta e de lá pequei o ferry boat de volta para Europa.

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Foi ótimo chegar em Algeciras, Europa, ver a Pérola Negra, tomar um banho, fazer a barba…
Nesta semana no Marrocos acabei ficando sem banho… esqueci o chinelo e não quis comprar outro e não tive coragem de tomar banho descanso naquele banheiro coletivo.

 

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