Caminho Português de Santiago

posted in: cicloturismo pela europa 2006 | 0
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Depois de Finisterre segui rumo ao Caminho Português de Santiago. Já na primeira noite fora da rota dos albergues fiquei acampado numa praia só prá mim!

Costa-da-morte-acampamento-barraca

Costa-da-morte-galicia-espanha-acampamento

Este trecho é o chamado caminho português, muitas subidas até Padrón, que é uma cidade grandinha até, uma ponte que atravessa um rio bem limpo que tinha até até patos nadando.

caminho-de-santiago-galicia-Padron

Aqui na galícia fala-se o Gallego, que é um espanhol querendo falar português.

Peguei o caminho mais longo, pelas praias, mas valeu cada centímetro. Cambados é uma cidade interessantíssima com seu centro antígo turístico, todo renovado, com vários cafés e padarias de alto nível.
Sanxenxo, uma praia linda, que hoje com o feriado da semana santa estava cheia. Nenhuma sombra…caí no mar pra dar um choque, fiz um tempo e fui embora.

Sanxenxo-galicia-espanha

Poucos quilômetros dali parei na praia de Areas, maravilhosa, com vários pinheiros que davam muita sombra, daí estreiei minha rede,. que funciona muito bem…
Em Pontevedra o Albergue fecha 21h, é brincadeira!

Sanxenxo-galicia-espanha-deitado-na-rede

Conheci finalmente o bicho que fazia um barulho estranho durante a noite em certos acampamentos. Era cinco estalos rápidos e cinco lentos. Um som aberto e alto. Era cegonha!

cegonha-caminho-de-santiago-Santas-Martas

15 de Abril de 2006, sábado de Aleluia, Portugal!
Entrei em Portugal!!! De Baiona até a praia da Guarda o litoral é bem recortado e muito bonito. Feriado tudo estava cheio na Guarda. Peguei o braco e em 20 min já estava em terras lusitanas, em Caminha.

cicloturismo-espanha-de-baiona-até-a-guarda

Estou em Vila Praia de Ancora na casa do Zé Manuel e da Isabel, o casal portugues que conheci em Padrón. Eles me levaram aos pontos turísticos da praia, conheci muitos dos seus amigos e de noite a Isabel fez um jantar delicioso. Dormi na “Toca do Urso”, no sótão do apartamento deles, muito legal e aconchegante.
De manha a Isabel fez um tipo de arroz doce só que com uma massa de macarrão de sêmola bem fininho, muito gostoso.

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portugal-vila-praia-de-ancora-hospedado

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16 de Abril, Páscoa, Vila do Conde
Estrada bem plana nesta Páscoa, atravessei o rio Lima por uma ponte em manutenção e segui até a Vila do Conde, onde tem o forte São João, que também é um hotel. Uma construção suntuosa e imponente que protegia a praia no passado.

cicloturismo-portugal-vila-do-conde-pascoa-2006

Em Porto fiquei no camping Prelada, o melhor até agora. Fui ao centro e visitei os principais ponto turísticos, a Capela das Almas, toda com azulejos azuis com desenhos temáticos, a Praça da Liberdade e a Catedral da Sé (estou falando da cidade do porto nãp de São Paulo…). Descendo as escadarias da Catedral pude ver os típicos bairros da Sé e São Nicolau, com suas ruas estreitíssimas, as pessoas nos andares superiores podem quase dar as mãos.

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portugal-porto-rua-estreita

portugal-porto-cais

portugal-porto-ladeira-estreita

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Atravessei a ponte Luís I e visitei as várias Caves de Porto, que são as adegas onde se armazenam todo o autêntico vinho do Porto.
A produção do vinho é, na verdade, uns 100 km para nordeste daqui, próximo da cidade de Peso da Régua, junto ao rio Douro, numa região que se estende até a Espanha.
O caso é que fui visitando e degustando os vinhos em quase todas as Caves. Final da tarde eu era praticamente um expert em vinho…e muito louco…

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Porto é uma cidade lindíssima, histórica, charmosa e ao mesmo tempo moderna. Poema num sache de açúcar onde almocei:
“A alma nua a mim não me convém
Eu quero andar na rua com quem vai mais além”

Saindo de Porto comecei a pedalada em direção à Coimbra. Logo nas primeiras praias teve um “passeio” de madeira sobre a areia e falésias incrível. Estava proibido para bicicletas mas fui informado que poderia ir sem problemas mas no meio do passeio uma caminhante ficou um pouco incomodada com a Pérola Negra toda carregada competindo com o espaço um pouco limitado. Estava empolgado e pedalei 125 km até próximo de Coimbra.

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Pedalada cansativa de 125km até o camping de Lisboa. Estradas sem acostamento, Lisboa é bem grande e tive que atravessar a cidade para alcançar o camping.

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De Lisboa, atravessei de barco o gigante rio Tejo. Fiz uma parada na bonita praia de Sesimbra e depois peguei a deslumbrante estrada que atravessa a Serra da Arrábida.

Setúbal é uma cidade costeira na desembocadura do rio Sado, onde é forte o comércio de frutos do mar.

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Saindo de Setúbal peguei o ferry boat para Tróia e percorri uma estrada lindíssima na Península de Tróia, com o majestoso rio Sado, bem baixo, influenciado pela maré, na minha esquerda, e o Oceâno Atlântico na minha direita, fala sério, obrigado Papai do Céu!

29 de Abril de 2006, sábado, Lagos Primeiro mergulho
Lagos teve ao longo de sua história influencia de vários povos. Foi habitada por Carta Gineses, Celtas, Romanos, Visigodos, Gregos e Árabes.
Durante o sec XV Lagos tornou-se um importante porto no início dos descobrimentos portugueses, pois daqui partiam e chegavam as caravelas que deram origem à ciência da navegação.
A costa de Lagos é muito recortada e com paredões bem altos e que constantemente se modificam pela ação do vento e da maré, é uma formação rochosa que tem o perigo de desmoronamento.

portugal-lagos-local-de-mergulhoportugal-lagos-barcos-navegandoportugal-lagos-barco-debaixo-da-marquise

cicloturismo-portugal-lagos-bicicleta-com-equipamentos-de-mergulho

O mar esculpiu várias cavernas nestas rochas esfarelantes e as que ficam alagadas são um colírio para os mesgulhadores.
Foi aí que fiz os primeiros mergulhos livres, snorkeling.

A água estava geladíssima, mas o visual me animou a entrar. O mergulho da manhã foi na praia Dna Ana. Quase perdi a cabeça, literalmente. Numa região de muitas lanchas eu estava sem bóia de sinalização…me empolguei na apnéia e quando voltei à superfície quase uma lancha me arranca a cabeça, foi aí que descobri que os palavrões são idênticos em Portugal também…O barqueiro soltou o verbo!

Pedalei direto até Vila Real de Sto Antônio, a última cidade de Portugal.
Peguei o Ferry Boat e em poucos minutos estava na Espanha de novo, agora caminhando para o sul, até o Estreito de Gibraltar.

espanha-de-barco-para-Vigo

Em terreno espanhol durante toda a pedalada o visual era incrível, um relevo totalmente aberto, sem árvores nem florestas, impossibilitando totalmente o camping selvagem.

Passei direto por Huelva quando soube que não tinha camping. A estória se repetiu nas próximas vilazinhas.
Em San Juan Del Puerto achei um lugar meio deserto, tipo em galpão abandonado. Comecei a fazer o jantar sem armar a barraca. De repente aparece um senhor de trator: me apresento e peço para ficar somente uma noite. Ele deixou e me ofereceu uma espécie de “carretinha” para dormir mas a barraca era bem melhor…

Segui pedalando até Tarifa e depois Algeciras, onde deixei a bicicleta no hotel depois de 2 meses inseparáveis com a Pérola Negra, peguei o ferry boat e segui para o Marrocos.

 

 

 

 

 

 

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