Cicloturismo na França- de Paris à Saint Jean Pied de Port

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Pedalar de Paris ao Cairo, foi assim onde tudo começou. E a ideia não era fazer o caminho mais curto… mas gastar meus 8 meses sabáticos em 2006.

Foi 05 de março de 2006 que larguei o consultório, onde tinha sido dentista por 10 anos e caí no mundo para nunca mais parar. A bicicleta que me acompanhou foi carinhosamente apelidada de Pérola Negra, guerreira, viajou quase nove mil quilômetros pelo continente europeu.

Mapa Pedalando e Mergulhando de Paris ao Cairo 2006
Mapa Pedalando e Mergulhando de Paris ao Cairo 2006

 

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Bicicleta Pérola Negra carregada no início da viagem.

Depois do carnaval aqui no Brasil cheguei em Paris com a congelante temperatura de 0ºC.

Peguei os 60kg de bagagem e segui de metrô para a casa do Freddy que conheci no Hospitality Club.
No dia seguinte pedalei sem os alforjes pelo centro de Paris, ia me acostumando com o frio que me esperava… a cidade é muita linda, as pessoas muito charmosas e bem vestidas, completamente diferente deste maluco que vos escreve que saiu de gorro,
capacete, jaqueta corta vento, calça de anorak: parecia um lunático em meio de tanta gente de sobretudo e cachecóis da última moda.

 

Pedalei pelo Arco do Triunfo, não tem semáforo e a bicicleta vai junto com os carros. Fui ate a Torre Eifell, fui costeando o Rio Sene, fui à Catedral de Notre Dame, Bastille, tudo muito incrível com exceção da chuva e do vento frio na cara.

Mudei um pouco a rota pois a região do Vale do Rio Loire é muito legal e tem varios castelos medievais…

cicloturismo-frança-castelo-de-Mont-Poupin

 

08 de março de 2006: hoje foi o primeiro dia de pedalada com a Pérola Negra carregada. O frio e a chuva me acompanharam mas foi ótimo começar logo esta aventura.

Comi uma laranja muito diferente hoje, dentro era um vermelho forte como carne crua, o gosto era forte e bem doce, comi até o bagaço, em euro tem que aproveitar tudo, o bagaço é bom…jà dizia minha mae.

Estou no primeiro acampamento, uma floresta com arvores secas pelo inverno e muita lama por causa das chuvas, parece o filme A Bruxa de Blair. Os corvos deixam o lugar meio aterrorizante estilo Alfred Hitchkok.

Um vento sul contra, muito frio, me acompanhou durante esta etapa da viagem, de noite muitas vezes tinha que segurar a barraca, a sensação que iria virar. Foram dezessete dias pelo norte da França em direção á Espanha e ao tão sonhado Caminho de Santiago de Compostela. Em Chartres tem uma Catedral do sec. Xlll monumental, linda.

cicloturismo-França-catedral-de-Chartres

 

cicloturismo-frança-Poitiers-conjuntiviteEsta é minha primeira viagem de cicloturismo, vim com muita bagagem, um exagero, a Pérola Negra está lotada, muito pesada.

Preciso deixar algumas coisas para trás…o Guia Fodors da Europa, gigante, vai ser a primeira coisa…

Numa noite de geada a agua dentro da barraca congelou. Foi uma tremedeira. Em Loches tive que ir ao Hospital, minha conjuntivite piorou, mas o medico disse era apenas superficial.

Em Poitiers enfim parei num albergue para refazer as energias e tomar um banho depois de uma semana perdido pelas estradas e florestas do interior da França.

 

 

Confolens, o dia em que achei um peregrino…quando estava saindo da cidade p acampar um senhor me viu parado olhando o mapa e me perguntou onde eu iria, eu disse que nao sabia e ele me ofereceu sua casa por uma noite. Foi magico, Noel, um senhor de 65 anos, que ja pedalou de Paris a Lisboa e o Caminho de Santiago claro. Sua esposa Carmen, peruana de Lima e Noel me ofereceram um jantar delicioso e uma noite bem dormida.

cicloturismo-frança-Perigueux-concha-do-peregrino

Limoges apesar de ser uma cidade grande guarda ares de vilazinha com suas ruas estreitas.

Tive problemas com o fogareiro, acabou a benzina que levei do Brasil e o tal de alcoll a brule deles aqui nao deu fogo…tive que comer o miojao frio mesmo, estava bom ate o tempero apimentado…

Perigueux, outro albergue e um dia sem pedalar…Ganhei uma concha de peregrino do hospitaleiro! Essa vou levar até o fim do caminho, de Santiago de Compostela…pois o meu caminho vai além…

Muitas subidas, frio e vento, estou me adaptando à nova vida…

 

Eymet- todos os campings fechados…
Domingao, saindo de Perigueux depois do descanso de um dia…solzinho escondido, pouco movimentada a estrada. O caminho até Vergt foi clássico, estradinha do interior, um silencio delicioso. Todas as arvores secas, o vento cortando por entre os galhos assobiava. Os pássaros cantando meio que dizendo: “Tá bom de inverno já né, vem logo a primavera…”

Estou acampado em Eymet, a cidade completamente vazia, e o camping central da cidade também. Nao tinha ninguém, entrei numa boa, o próprio guardiao deixou. A Igreja da cidade ficava bem atrás do camping. De noite os sinos tocaram e pensei que fosse para a missa, fui ver se assistia…aberto só estavam os bares mesmo, daí nao teve jeito e tomei um chopp…

Fim de inverno os campings estão todos fechados mesmo, escolhi um período de baixa temporada, as cidades estão todas vazias, é uma solidão. Minha rotina aqui na França foi tomar um litro de leite durante o dia, as temperaturas baixas faziam o produto não estragar, e uma garrafa de vinho à noite.
Pedalava durante o dia inteiro e fim de tarde parava em algum mercado local para fazer compras, o que incluia sempre um vinho, num preço bastante amigável, até um autentico vinho Bordeaux quando passei pela região.

Meus dias de solidão terminaram quando finalmente cheguei em St.Jean Pied de Port, onde se inicia o Caminho de Santiago de Compostela.

 

 

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